Itinerários de leitura para as séries iniciais – base de conhecimentos
Folha de rosto 1 Mapa 2 Entrada 3 Trilha 4 Atalhos para a saída 5 Base de conhecimentos

3 Trilha

Agora que você já conhece o método Brincar de ler, chegou a hora de receber todas as orientações necessárias para colocá-lo em prática em sua própria realidade. Como vimos, a metodologia pressupõe cinco etapas, baseadas no círculo hermenêutico defendido por Paul Ricoeur: Estímulo lúdico, Leitura, Reflexão sobre a leitura, Atividade criativa e Desfecho lúdico. Entretanto, antes de elaborar uma unidade de trabalho conduzida pelo método, ou seja, guiada pelas cinco etapas por ele previstas, você necessita planejar a aplicação, levando em conta o período, o eixo temático e a continuidade do trabalho em sala de aula. Por isso, ao trilhar esse novo e promissor caminho para a formação de leitores nas séries iniciais, você não dará apenas cinco passos, cada qual correspondente à efetuação das cinco etapas do método. Três passos anteriores devem ser dados para que o método realmente funcione, ou seja, para que você alcance com sucesso o final dessa trilha.

Primeiro passo: estabelecer o período de aplicação do método.

Todo o trabalho com a literatura infantil em sala de aula necessita não apenas de um método, mas também de um planejamento que envolva a aplicação desse método durante um período pré-estabelecido. Desse modo, para criar a sua unidade de trabalho com a literatura infantil em sala de aula, a partir do método Brincar de ler, valendo-se do leque de sugestões de leitura e de atividades presentes na Base de conhecimentos, o primeiro passo a ser seguido é planejar sua aplicação. Você deve estabelecer, pelo calendário, um período para colocar o método em prática. O ideal é que os alunos se envolvam com atividades de leitura literária durante todo o ano letivo. Assim, organizar o calendário significa pensar na aplicação constante do método. O planejamento pode abranger um mês, um trimestre, um semestre ou mesmo um ano, se possível. Após ter estabelecido o prazo, reserve um período semanal de, no mínimo, uma hora e meia, para a aplicação de cada atividade de leitura, ou seja, de cada sessão guiada pelo método, junto aos alunos. Uma hora e meia corresponde ao tempo mínimo necessário para o método ser trabalhado em todas as suas cinco etapas de maneira produtiva.

Segundo passo: selecionar as unidades temáticas.

Buscando facilitar esse planejamento e intensificar o benefício da literatura de ampliar o conhecimento de mundo pelo leitor, ressaltamos a importância da escolha de um tema para conduzir a aplicação do método. Por isso, o próximo passo a ser seguido é delimitar as unidades temáticas, próprias do tema aqui apresentado, que conduzirão cada sessão de aplicação do método durante o período pré-estabelecido. A falta de experiência da criança, devido à sua pouca idade, aumenta a necessidade da busca pela descoberta do eu e do ambiente em que vive, que se inicia na família e depois se estende à escola e à realidade circundante. A literatura, conduzida por um eixo temático gradativo, que tem como foco justamente a descoberta de si e do mundo pela criança, amplia e organiza a visão de mundo infantil, auxiliando o pequeno a preencher as lacunas resultantes de sua restrita experiência de vida.

Sugerimos, portanto, que você siga tal progressão, respeitando a ordem “de dentro para fora”, o que significa iniciar a aplicação do método pela unidade temática da identidade, ponto de partida para a autocompreensão, passando, gradativamente, por outras questões internas, não menos importantes, como segredos, desejos, gostos, problemas e medos, até alcançar a primeira forma de socialização do pequeno, ou seja, as relações familiares, que se ampliam na amizade, na vida na escola e, finalmente, dão acesso à descoberta do mundo sob diferentes ângulos. Tais unidades, contudo, podem, quando necessário, ser desmembradas em mais de uma sessão, de forma a contemplar uma busca enriquecedora do entendimento de si e do mundo por meio da leitura literária. Família, por exemplo, pode merecer cinco sessões, sendo dividida em mãe, pai, irmão, avós e conceito familiar como um todo. Medo, por sua vez, também pode ganhar mais sessões, atendendo a temores imaginários e àqueles próprios do contexto real. Qualquer unidade, portanto, pode ser trabalhada em mais de um encontro, ampliando a variedade de apropriações de sentido, através da leitura literária, que o aluno pode efetivar em torno do tema.

Assim, de acordo com o número de sessões previstas para a aplicação do método dentro do prazo pré-estabelecido, você deve selecionar as unidades temáticas. Caso seja possível repetir uma ou mais unidades, eleja-as a partir das necessidades e do perfil de seus alunos. Caso o período pré-estabelecido não comporte as dez unidades temáticas previstas, elimine aquela ou aquelas que prejudiquem o menos possível tal progressão. Ressaltamos, entretanto, que o ideal é obedecer às dez unidades temáticas, permitindo aos alunos perfazerem gradativamente o caminho da descoberta de si e do meio por entre a leitura da literatura. Diante dessa seleção, você pode, enfim, usufruir da Base de conhecimentos para elaborar cada atividade de leitura guiada pelo método proposto.

Terceiro passo: elaborar a sessão de aplicação do método, partindo da escolha da obra literária.

A lista de sugestões de leitura presente na Base de conhecimentos está dividida de acordo com as unidades temáticas oferecidas. Ao escolher e localizar na lista o tema a ser trabalhado na sessão a ser criada, você, automaticamente, tem a seu dispor uma gama de obras literárias correspondentes, ou seja, que abordam o tema escolhido, classificadas por gêneros, quais sejam: narrativa, poema, teatro, livro de imagem e livro-jogo. Determinadas unidades temáticas não conseguem dispor de obras em todos os gêneros discriminados. Afinal, infelizmente, não temos condições de esgotar nessa lista todas as obras literárias para a infância que se prestam a cada temática oferecida. Priorizamos elencar todos os livros que trabalhamos nos diferentes espaços escolares durante a aplicação do método até a elaboração desse trabalho. Nada impede, portanto, que você escolha uma obra literária que não esteja presente em nossa listagem, porém que se encaixe perfeitamente em um dos temas e gêneros propostos.

Considerando o conceito de narrativa como a arte de contar histórias, fictícias ou não, situadas em um tempo e um espaço determinados, envolvendo uma ou mais personagens, enquadramos, dentro desse gênero, mitos, lendas, fábulas, apólogos, contos, novelas e crônicas direcionadas ao público infantil, bem como narrativas infantis movidas por uma estrutura repetitiva, popularmente conhecidas como narrativas em lenga-lenga. Independente da estrutura, do conteúdo e da extensão das obras listadas, todas têm em comum um enredo, com início meio e fim, conduzido por um foco narrativo. Por foco narrativo, entendemos o ponto de vista do narrador, ou seja, a perspectiva através da qual os acontecimentos de uma história são narrados.

Em poema, encontram-se as obras poéticas infantis em suas diferentes apresentações, dotadas, geralmente, de versos, estrofes, rimas e ritmos, que sustentam imagens e combinações inusitadas de palavras. Por isso, livros que abarcam poemas visuais, haicais, trava-línguas, acalantos, parlendas, adivinhas, jogos populares e cantigas também estão armazenados nessa categoria, uma vez que, seja pela sua estrutura ou pela sua sonoridade, pertencem ao gênero poético infantil.

Já em teatro, estão reunidas as obras dramáticas, ou seja, as peças teatrais infantis, entendidas como narrativas escritas para serem encenadas. Independente do conteúdo, apresentam uma estrutura comum, na qual as personagens dialogam, encarregadas de moverem a trama, como se estivessem no palco, encenando através dos atores. Algumas vezes, o narrador introduz e, inclusive, complementa a história. A categoria livro de imagem, por sua vez, engloba as narrativas visuais, ou seja, as histórias infantis construídas somente por meio de imagens, sem o emprego da linguagem verbal. As ilustrações assumem, pois, a função narrativa. No entanto, como alerta Luís Camargo(7), (7) CAMARGO, Luís. Para que
serve um livro com ilustrações?
In: JACOBY, Sissa. A criança
e a produção cultural:
do brinquedo à literatura.
Porto Alegre: Mercado Aberto,
2003.
o livro de imagens nunca se apresenta ao leitor apenas através de ilustrações. Na própria capa, em geral, a arte visual já vem acompanhada do título da obra e do nome do escritor, informações verbais que se projetam sobre as imagens, interferindo na sua leitura.

Por fim, em livro-jogo, estão agrupadas as narrativas interativas. Nessas obras, divididas, em geral, por cenas, o narrador descreve as situações, cabendo ao leitor decidir os passos a serem seguidos pela personagem, diante das opções apresentadas ao final de cada cena. Isso é possível a partir da estrutura peculiar desse tipo de narrativa. As cenas são numeradas, mas o enredo da história não segue essa sequência. Ao final de cada cena, o narrador apresenta as possibilidades de continuidade da história, cada uma delas remetendo a uma página diferente, cabendo ao leitor escolher o caminho a ser seguido. Cada leitura torna-se, assim, uma experiência completamente diferente, evidenciando a pluralidade de peripécias e de desfechos presentes numa única obra.

Quarto passo: selecionar uma atividade para o Estímulo lúdico.

Escolhidos o tema e a obra a ser lida na sessão a ser criada, você parte para a elaboração da primeira etapa, que constitui o método Brincar de ler, o Estímulo lúdico, a partir do leque de opções disponível na Base de conhecimentos. Selecione uma atividade oferecida em uma das nove categorias disponíveis, quais sejam: Recursos orais, Recursos escritos, Recursos visuais, Recursos escritos e visuais, Recursos sonoros, Recursos sonoros e visuais, Recursos corporais, Recursos sonoros e corporais e Recursos artesanais, de acordo com o tema e a obra em foco.

Lembrando que nessa etapa preparamos o aluno para ingressar no universo proposto pela obra a ser lida, a atividade eleita deve enfatizar a temática presente na obra e, ao mesmo tempo, respeitar, destacar e dialogar com o gênero ao qual pertence. Desse modo, se a obra escolhida compete ao gênero poético, a atividade de Estímulo lúdico, além de estar de acordo com o tema da obra, deve estar relacionada com as peculiaridades da literatura em versos, salientadas, sobretudo, nas categorias Recursos sonoros e Recursos sonoros e corporais. Isso não impede que as outras categorias venham a oferecer atividades que podem estar de acordo com o tema e a obra eleitos. O que é importante salientar é que não podemos aliar a uma obra poética, por exemplo, uma atividade de estímulo que enfatize elementos estruturais da narrativa, ou aliar a uma obra que enfoque a temática medos uma atividade relacionada ao tema do ambiente escolar. A coerência entre o tema e o gênero da obra escolhidos com as atividades selecionadas é fundamental para que o método seja colocado em prática com eficiência, de maneira a cumprir seu objetivo de aproximar obra e leitor.

A categoria Recursos orais é regida pela fala, abrangendo atividades orais, como a brincadeira popular do “telefone sem fio”, ou mesmo atividades que envolvem a leitura seguida por uma ação oral, como quando cada um retira de uma caixa uma atividade artesanal, comentando-a com a turma. Recursos escritos tem como foco o registro escrito, agrupando atividades, como o jogo popular infantil da “forca”. Recursos visuais, por sua vez, enfatiza a imagem, disponibilizando atividades nas quais os alunos exercitam a ilustração, como quando desenham a capa da obra a ser lida a partir do conhecimento do título.

A categoria Recursos escritos e visuais, como o próprio nome indica, reúne atividades que mesclam a escrita e a imagem, como a criação de uma personagem, ilustrando-a no papel e escrevendo ao lado dados pessoais. Em Recursos sonoros, o som ganha destaque, como quando os alunos expressam livremente suas ideias no papel enquanto ouvem uma música cuja temática assemelha-se à obra a ser lida. Recursos sonoros e visuais, unindo som e imagem, disponibiliza atividades, como a assistência de um trecho, pelo menos, da adaptação cinematográfica da obra a ser lida.

Já em Recursos corporais, predominam atividades focadas no movimento do corpo, como a brincadeira de mímica. A categoria Recursos sonoros e corporais, por sua vez, sustenta atividades guiadas pelo som e por movimentos corporais, como a audição de uma música complementada pela marcação do ritmo, através da utilização de uma parte do corpo. Por fim, Recursos artesanais reúne atividades de estímulo que envolvem a produção manual, como tarefas de recorte e colagem.

Quinto passo: selecionar uma atividade para a Leitura.

Definida a atividade do Estímulo lúdico, você parte para a escolha da técnica de Leitura da obra a ser lida, que corresponde à segunda etapa do método. A Base de conhecimentos oferece técnicas de leitura divididas nas seguintes categorias: Contação de histórias, Recitação de poemas, Leitura de histórias e Leitura de poemas.

Se a obra escolhida pertence aos gêneros narrativo, dramático, livro de imagem ou livro-jogo, as categoriais disponíveis são a Contação de histórias e a Leitura de histórias. Contação de histórias abarca diferentes atividades relacionadas à ação de contar uma história, como a contação sem a revelação do título, para os alunos criarem um título para a obra antes de descobrirem o original. Já Leitura de Histórias envolve práticas leitoras variadas, como a leitura sob forma de boletim radiofônico.

Para o gênero poético, reservamos as categorias Recitação de poemas e Leitura de poemas. Recitação de poemas engloba técnicas guiadas pelo ato de recitar, como a recitação sob forma de jogral. Leitura de poemas, por seu turno, abrange práticas leitoras voltadas para a literatura em versos, como a leitura de um poema complementada pela imitação dos sons nele presentes.

Como evidenciamos anteriormente, o conceito de narrativa, aqui representado pelo termo histórias, engloba mitos, lendas, fábulas, apólogos, contos, novelas, crônicas e narrativas em lenga-lenga. Estendemos o termo histórias de maneira a abranger também as peças teatrais que, na realidade, são narrativas criadas para serem encenadas, bem como os livros de imagem, que também são narrativas, porém visuais, e os livros-jogo, ou seja, narrativas interativas. O conceito de poema, por sua vez, envolve as obras em versos, sejam elas constituídas por poemas, poemas visuais, haicais, trava-línguas, acalantos, parlendas, adivinhas, jogos populares ou cantigas. É válido ressaltar que todas as atividades ligadas a essa segunda etapa do método, da Leitura da obra literária escolhida, são orais, não envolvendo produções no papel, pois essas últimas estão reservadas para a etapa da atividade de releitura, intitulada Atividade criativa.

Sexto passo: selecionar uma atividade para a Reflexão sobre a leitura.

A atividade seguinte a ser elaborada corresponde à etapa da Reflexão sobre a leitura, ou seja, ao momento de incitar a interpretação da obra lida, através de estímulos que motivem o leitor a relacionar os sentidos apreendidos na leitura com a sua própria realidade. As atividades atreladas a esse momento de reflexão estão divididas em cinco categorias: Comparação de elementos estruturais, Debate sobre elementos estruturais, Identificação de elementos estruturais, Reprodução da obra e Transformação da obra.

Nas três primeiras categorias, estão incluídas atividades que destacam um ou mais elementos estruturais da obra lida, seja sob forma de debate, de comparação ou de identificação. Por elementos estruturais, entendemos a abordagem de um elemento próprio do gênero literário da obra lida, como a personagem, o tempo, o espaço ou a ação numa narrativa, ou o ritmo, as estrofes ou a rima num poema. Ali também estão incluídos os aspectos referentes ao gênero literário em si, ao processo criativo, ao tema da obra, bem como outras possíveis características que ela venha a sustentar.

Assim, por exemplo, se deseja abordar o gênero literário da obra lida, na categoria Comparação de elementos estruturais, você pode selecionar uma atividade na qual os leitores comparam o gênero lido com outros gêneros literários. Já na categoria Debate sobre elementos estruturais, pode escolher uma atividade que oportunize aos alunos o próprio debate sobre tal gênero, através do qual cada um pode opinar sobre ele, seja com relação às suas características, seja com relação ao interesse pelo gênero em si. Em última instância, na categoria Identificação de elementos estruturais, pode optar por desenvolver a reflexão em torno da identificação das peculiaridades do gênero presente no texto lido, em termos de tempo, espaço e segmentos narrativos, personagens e suas ações, ou mesmo relacionada ao próprio processo criativo ou ao tema em destaque.

Já nas duas últimas categorias, Reprodução da obra e Transformação da obra, você irá encontrar atividades de reflexão da obra lida ligadas, respectivamente, à sua retomada e à sua recriação. Nesse sentido, a categoria Reprodução da obra agrupa atividades, como a representação, sob a forma de mímica, do texto lido. Transformação da obra, por sua vez, dispõe de atividades, como a criação oral de um novo desfecho para a obra lida.

Sétimo passo: selecionar a Atividade criativa.

Após a escolha da atividade de Reflexão sobre a leitura, você deve eleger uma atividade de releitura da obra, correspondente à etapa da Atividade criativa. Como vimos anteriormente, nessa etapa, com base no tema da obra lida, motivamos os alunos a realizarem atividades lúdicas e criativas de releitura da obra, em sua maioria textuais e individuais, não eliminando atividades em grupos e guiadas por outras técnicas além da escrita. Por isso, as atividades dessa etapa estão divididas em diferentes categorias que, por sua vez, também merecem subdivisões diante da gama oferecida.

Primeiramente, de acordo com o tema e a obra escolhidos, bem como com as atividades já determinadas (Estímulo lúdico, Leitura e Reflexão sobre a leitura), escolha entre atividades criativas regidas pela escrita, que constituem a categoria Linguagens escritas, ou entre atividades criativas guiadas por outras técnicas, que compõem a categoria Outras linguagens, ou ainda entre atividades criativas que envolvam a escrita relacionada a uma outra linguagem, compreendendo a categoria Mistas.

Dentro da categoria Linguagens escritas, você encontra quatro subcategorias:

    • produções narrativas, dividida em:
      • contos de fadas e elementos mágicos;
      • estruturas;
      • personagens;
      • ações;
      • espaços;
      • tempos.
    • produções poéticas, classificada por:
      • recursos sonoros;
      • recursos estruturais;
      • recursos temáticos.
    • produções dramáticas
    • produções em outros gêneros, separada por:
      • registros;
      • descrições;
      • diálogos;
      • cartas, diários e mensagens;
      • receitas;
      • notícias, crônicas e entrevistas;
      • roteiros cinematográficos;
      • RPG (Role Playing Game): texto-jogo.
    • produções livres, dividida em:
      • escolhas;
      • sorteios;
      • homenagens.

Desse modo, se escolher uma produção narrativa como atividade de releitura, deve ter em mente qual elemento quer enfocar: um objeto mágico ou a própria narrativa de conto de fadas, a personagem, a ação, o espaço ou o tempo, ou mesmo a estrutura narrativa como um todo. Nesse último caso, atividades como a criação de uma narrativa, valendo-se do início da obra lida, ou a criação de uma narrativa, incluindo uma palavra sorteada da obra lida, são alguns exemplos.

Se a sua ideia é oferecer uma Atividade criativa, envolvendo a produção poética, tem como opções destacar os aspectos sonoros, os aspectos estruturais ou os aspectos temáticos da obra lida. No primeiro caso, você pode, por exemplo, sugerir a criação de um poema, complementada pela determinação de recursos sonoros para ritmá-lo ou musicá-lo. No segundo caso, pode, por exemplo, eleger a imagem como elemento estrutural, convidando os alunos a criarem um poema visual. Já no terceiro caso, guiado pelo tema do livro, pode, por exemplo, determinar a criação de um poema a partir do título da obra lida.

Em produções dramáticas, encontrará atividades de releitura ligadas à criação de uma peça teatral. Já em produções em outros gêneros, de acordo com o seu objetivo, você pode eleger uma atividade de registro, como a escrita dos medos de cada um num pedaço de papel; de descrição, como a descrição de uma personagem ou de um espaço previamente escolhido; de diálogos, como a criação de um diálogo com uma personagem da obra lida; de cartas, diários e mensagens, como a escrita de uma carta para uma personagem da obra lida ou a escrita de um momento marcante relacionado à obra lida sob a forma de diário; de receitas, como a criação de uma receita culinária relacionada à obra lida; de notícias, crônicas e entrevistas, como a criação de uma entrevista com a personagem da obra lida; de roteiros cinematográficos, envolvendo a criação de roteiros para o cinema; e de RPG, abarcando criações de textos-jogo.

Nas produções livres, sempre localizará atividades regidas pela escrita, porém livres no sentido de que o aluno decide qual o formato que irá conduzir o seu texto (narrativa, poema, crônica, etc.), cabendo-nos divulgar a motivação, que pode ser regida por uma escolha, por um sorteio ou por uma homenagem. No primeiro caso, o aluno, por exemplo, escolhe uma palavra da obra lida e cria um texto, contendo a palavra escolhida. No segundo caso, o aluno, por exemplo, sorteia uma palavra retirada da obra lida e cria um texto, contendo a palavra sorteada. Já no terceiro caso, o aluno cria um texto para homenagear, por exemplo, alguém especial lembrado a partir da obra lida.

A categoria Outras linguagens não possui subdivisões, oferecendo atividades que não abrangem a escrita, mas, justamente, outras linguagens, como ilustração, pintura, modelagem, entre outras. A recriação do poema lido de que mais gostou por meio de ilustrações é um exemplo de atividade oferecida por essa categoria.

Já na categoria Mistas, você se depara com atividades que mesclam a escrita e outra linguagem, divididas em: histórias em quadrinhos, artesanatos, propagandas e composições e cantigas. Em histórias em quadrinhos, como o próprio nome diz, encontrará atividades relacionadas a essa gênero, como a criação de uma história em quadrinhos a partir da temática da obra lida. Em artesanatos, estão armazenadas as atividades que envolvem a escrita e uma técnica manual, como quando o aluno pinta livremente uma tela, painel ou cartaz, movido pelos sentimentos suscitados pela leitura, troca sua pintura com o colega e cria um texto a partir da pintura recebida. Em propagandas, são oferecidas atividades que remetem a essa forma de comunicação, como a criação de um anúncio publicitário, vendendo a obra lida. Por fim, em composições e cantigas, estão relacionadas atividades que envolvem composições musicais, como a criação de uma letra musical a partir dos sentimentos suscitados pela leitura, escolhendo um ritmo para embalá-la.

Assim, tendo em foco o gênero e o tema da obra escolhida, bem como as etapas anteriores já selecionadas, você determina a atividade de releitura, ou seja, a Atividade criativa, diante de uma variedade de opções, separada pela técnica empregada (escrita, outra linguagem ou mista, que envolve a ambas). Por exemplo, se a obra escolhida pertence ao gênero poético e você focou, em especial, características como a rima e o ritmo, uma boa opção de atividade de releitura estará armazenada tanto na categoria Linguagens escritas, subcategoria produções poéticas, no item recursos sonoros, quanto na categoria Mistas, item composições e cantigas.

Oitavo passo: selecionar uma atividade para o Desfecho lúdico.

Por fim, resta você escolher a atividade relativa à quinta e última etapa do método, denominada Desfecho lúdico. Nessa fase, como evidenciamos, os alunos dão continuidade à atividade anterior de releitura da obra lida, socializando ludicamente suas produções. Por isso, eleja uma atividade que esteja alinhavada à atividade eleita na etapa anterior, ampliando o processo de releitura por parte do leitor, de maneira a torná-lo dono de sua própria interpretação, sem receio de divulgá-la aos colegas através da brincadeira.

Dividimos, assim, essa etapa nas seguintes categorias: Leituras, Ilustrações, Recitações, Jograis, Dramatizações, Simulações, Artesanatos, Arquivos pessoais e Livres. Na primeira categoria, das Leituras, você localizará diferentes atividades lúdicas que abarcam a apresentação das produções dos alunos por meio do ato de ler, como a leitura em voz alta do texto pelo seu respectivo autor ou a leitura em voz alta do texto sorteado, devendo os colegas adivinharem o verdadeiro autor, ou mesmo a leitura em voz alta do texto criado sem a revelação do desfecho, para os colegas imaginarem, antes do reconhecimento final.

Na categoria Ilustrações, privilegiamos as manifestações visuais, sempre socializadas, como a ilustração do texto criado, seguida pela apresentação do texto para os colegas com base apenas na ilustração feita. Em Recitações, as atividades oferecidas voltam-se à leitura de produções em versos, como a organização de um sarau literário, no qual cada aluno recita o poema criado. Já Jograis armazena aquelas atividades que, como indica o próprio título da categoria, utilizam tal técnica como meio de apresentação.

Na categoria Dramatizações, você encontra diferentes recursos dramáticos para divulgação das produções criadas, desde a mímica, a encenação de diálogos e o uso de fantoches, até o emprego de técnicas mais elaboradas, como o teatro de sombras ou de flanela, por exemplo. Simulações, por sua vez, reúne atividades que recriam um outro contexto, geralmente ligado ao tema da obra lida e à atividade criativa desenvolvida. Shows musicais, programas de rádio ou televisivos, leilões, correios são alguns exemplos de situações que podem ser simuladas para as respectivas produções serem socializadas de forma lúdica, deixando os alunos confortáveis com a situação.

Na categoria Artesanatos, você tem à disposição atividades que requerem algum tipo de produção manual para tornar viável a apresentação das produções realizadas. Os alunos, por exemplo, podem confeccionar uma capa de um livro de receitas para armazenar seus textos criados sob esse formato, assim como podem montar um painel com suas produções, ou mesmo representar seus textos através de modelagem com massa de pão, entre outras alternativas. Em Arquivos pessoais, estão listadas as atividades relativas às produções que não comportam uma socialização, por tratarem de temas demasiado intrínsecos, como os segredos de cada um. Nesses casos, o Desfecho lúdico relaciona-se ao armazenamento das produções, seja para serem levadas para casa, seja para serem guardadas na escola, podendo ser reabertas ao final do ano letivo ou de um prazo menor, previamente estabelecido, para que possam comparar seus registros no passado com o presente no qual se encontram meses depois. Na categoria Livres, estão ainda as atividades que não seguem instruções determinadas pelo professor, mas dependem da criatividade de cada um na representação livre de sua produção.

Após a seleção do Desfecho lúdico, você finaliza a elaboração e a montagem de uma atividade de leitura guiada pelo método Brincar de ler. Como explicamos, você deve criar uma atividade de leitura para cada unidade temática, diante do número de sessões previstas para a aplicação do método dentro do prazo pré-estabelecido.

Folha de rosto 1 Mapa 2 Entrada 3 Trilha 4 Atalhos para a saída 5 Base de conhecimentos